sexta-feira, novembro 18, 2011

Músicas sem sentido - Página em Branco de Jorge Palma

Há músicas que tocam no rádio e as quais até me podem ficar no ouvido, mas quando se ve a letra, percebe-se que aquilo não passa da uma coisa sem pés nem cabeça.

Um bom exemplo é a música Página em Branco de Jorge Palma, que anda agora a tocar nas rádios. Nesta música, o compositor fala do seu drama em escrever, porque por mais que tente, nada lhe vem à cabeça, um drama que na minha opinião já foi contado e recontado mais vezes que as necessárias. Ainda assim, reparem em certos excertos da música...

Tenho uma página em branco e uma guitarra na mão
ando nisto há quatro dias e não me sai a canção
os cinzeiros já não chegam tenho que os despejar
pensei que um copo de vinho pudesse vir a ajudar


Sempre detestei rimas forçadas, e aquela história de despejar os cinzeiros apenas está ali para rimar com o ajudar do copo de vinho. Despejar ou não os cinzeiros, nada tem a ver com o tema da música... que o homem os tenha enchido, até percebo, mas escusava de nos dar a sua lista de "a fazeres"... apenas o faz para rimar. O mesmo, na rima em baixo, em relação ao crocodilo:

mas só fico atordoado sinto o vapor a subir
imagino um crocodilo estupidamente a sorrir


... um crocodilo estupidamente a sorrir?... Sem comentários!

(...)
neste grande espaço em branco só te quero dizer
nannanan
gosto de ti


Nannanan, gosto de ti?!?! A sério?!?! Mas ele está a falar com um bebé? A passagem do drama da escrita para a declaração romântica é tão drástica que isto só pode mesmo ser o resultado de um grande vazio intelectual. Se o autor deste tema se decide falar do seu drama na escrita, porque raio há-de passar isso para o plano sentimental... Ok ok, ele pode falar do drama de escrever letras românticas, mas então que enriqueça um pouco melhor o texto, porque isto é caótico!

tenho uma página em branco e sinto a barba a crescer
há tanta coisa a tratar há tanta coisa a aprender


Um ponto favorável... A barba a crescer dando a ideia de tempo a passar e ainda nada escrito naquela fatídica página em branco, mas logo depois o que é que há a aprender? Sim, eu sei que nunca alguém saberá tudo, mas neste caso em concreto o que é que há a aprender? A resposta é simples, aquele aprender foi ali colocado para rimar com o crescer, portanto este músico terá de aprender a escrever letras, não?

Acho que neste caso, tínhamos ficado melhor com a página em branco...



Ps: A música foi copiada integralmente de um site de letras de música. Optei por não lhe colocar a pontuação em falta.

terça-feira, novembro 15, 2011

Senhor, não será melhor…?

Cada vez mais, a tecnologia vai tomando conta de nós, de uma forma tão peculiar que nem nos apercebemos de que estamos rodeados dela. As opiniões, como sempre e porque há gregos e troianos em qualquer assunto, dividem-se. Uns dizem que é bem-vinda e que nos ajuda, outros afirmam que nos estupidifica.

Sou do tempo em que não havia Internet, pelo menos, sou do tempo em que as pessoas comuns não tinham acesso a ela. Na primeira vez que naveguei na Internet, fui barrado de entrar no portal do SAPO porque em vez de http://www, escrevi apenas www. Foi um erro de iniciante, que actualmente já não é cometido. Qualquer browser sabe agora reconhecer estes erros e corrigi-los. Hoje, para entrar no portal do SAPO, não ponho http, não ponho www, nem sequer digo que é .pt: simplesmente escrevo sapo na barra de endereços e o meu navegador, navega (claro está) de forma quase inteligente neste mundo mágico para me transportar ao meu destino.

O mundo dos facilitismos não acaba aqui. Se o gigante Google antes me perguntava se eu não estava errado, agora assume que eu estou errado. Para pesquisar aquilo que quero pesquisar, tenho de lhe dizer, não amigo, não me enganei e era mesmo aquilo que eu queria procurar. Ele agora toma a iniciativa de alterar a minha pesquisa para me dar aquilo que ele “pensa” que eu quero. Pior do que ter um computador a assumir a minha vontade, é te-lo a adivinhar o que pretendo. Ao pesquisar no Google, ainda mal escrevemos uma letra e já ele adivinha a palavra. Com aquela palavra escrita, sugere frases completas. Pior ainda, está o iPhone, que opta constantemente por alterar as palavras escritas sempre que pressionamos a barra de espaços.

A ficção científica explorou por muitos anos a ideia de máquinas a controlar a humanidade. Não num extremismo tão elevado como aquele que é transmitido nos filmes, mas a verdade é que isto já se sente. A minha liberdade está a ser limitada por um motor de buscas ou um aparelho que decide, ou "pensa" que decide, o que eu quero ou não fazer, idealizando quais são as melhores páginas para mim, pondo para trás tudo o que lhe parece desnecessário. Acedo talvez, mais facilmente a informação relevante, mas primeiro tenho de convencer o computador que me deixe procurar o que efectivamente eu quero.

A sociedade não se pode reger por um facilitismo absoluto e incondicional, em que numa letra, o trabalho está feito. Como dizem os Quadrilha, que não haja mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe, para que possamos viver e continuar a aprender, pois apenas com esforço é que se aprende.

segunda-feira, novembro 14, 2011

Haja patriotismo!

Quando passei a ir diariamente para Lisboa, já lá vão alguns anos, sentia que tinha tudo acessível e, para cada necessidade minha, tinha uma loja próxima onde a podia satisfazer. Para além de toda esta acessibilidade, foi notório que mesmo as mais pequenas coisas estavam bastante longe, no que toca à acessibilidade financeira. Os 40 minutos que separam Lisboa de minha casa, foram suficientes para que eu sentisse que o custo de vida era mais elevado. Não demorou muito tempo para que eu percebesse que um simples beber água podia ser mais difícil do que seria de imaginar à primeira vista. Andei durante bastante tempo com garrafas de plástico atrás, porém, facilmente me esquecia delas em casa.

Recentemente, surgiu no nosso mercado uma gama de garrafas para água da marca SIGG. Por trocarem o plástico pelo metal, mantêm facilmente a água em condições de serem consumidas, pelo que este problema foi prontamente ultrapassado, até porque adoptei a minha SIGG como a minha garrafa e passei a andar sempre com ela. Para além de resolverem problemas de pessoas como eu, a SIGG fascina-me pelo seu patriotismo. Em todas as garrafas, ve-se escrito, numa das faces o logótipo da empresa, enquanto na face oposta, é bem visível a expressão Swiss made (fabricado na suíça). Não se trata de um simples made in (que se encontra no rótulo, em baixo), mas sim de algo mais. Um orgulho em dizer que este produto de qualidade foi fabricado naquele país.

Olhando para nós, povo português, não podia constatar uma realidade mais diferente daquela que me chega do povo suíço. Actualmente, com uma crise financeira instalada, chovem dos média, campanhas de sensibilização para que as pessoas comprem produtos nacionais. Frases como “o que é nacional é bom”, são ouvidas, lidas e ditas, desde que me lembro de ser eu e muita gente há que diz a quem o queira ouvir que só confia em produtos nacionais. Lamentavelmente, isto não é o reflexo da nossa realidade, e a prova são as importações cada vez maiores.

Tenho plena confiança naquilo que é do meu pais, o mesmo país que há séculos navegava por mares desconhecidos, enfrentando perigos para descobrir mais desta esfera habitável. Muitos se queixam que perdemos a força, outros que não podemos viver agarrados àquilo que fomos e eu sou levado a concordar com ambas as ideias. Todavia, a forma como encaramos o presente depende apenas de nós mesmos, e enquanto nós não reconhecermos a nossa própria força, não conseguiremos ir mais além. Nós somos os melhores, só falta acreditarmos nisto e deixarmos a sombra da bananeira! O Quinto Império é tão possível hoje, como era quando foi idealizado, só falta mesmo acreditar…

domingo, novembro 13, 2011

Mudança - Parte I: A percepção



Vivo numa era de mudança. Há 17 anos que me mantenho numa rotina muito específica. Pela primeira vez estou a deixar de ser estudante. Procuro por ofertas de emprego, das quais poucas são realmente interessantes. Dou por mim com esperanças de ser chamado a uma entrevista de um emprego que não quero. Saio das entrevistas desmotivado, não por a entrevista ter corrido mal, mas porque eu não quero aquilo. Vivo agoniado e sempre a pensar nos “ses” de cada escolha que aparece à frente.

Pela primeira vez encaro uma nova realidade, cheia de incertezas. Nenhuma possibilidade me parece suficientemente boa e sinto que tenho de as aceitar, queira ou não queira. A ver vamos onde este estado me leva!

sábado, novembro 12, 2011

Excesso de zelo...

A Microsoft sempre tentou tratar com paninhos quentes os seus clientes. Esta empresa produz aquele que será à partida o sistema operativo mais simples de utilizar e o mais conhecido, o Windows. Desde sempre que o Windows trata o utilizador como se ele nunca soubesse o que está a fazer, talvez um pouco para não alarmar aqueles que o usa.

Uma das grandes vantagens do Windows, é a instalação de programas. Qualquer criança sabe que basta abrir o ficheiro de instalação e premir o botão de continuar, avançar ou confirmar, até que o programa esteja operacional. Caso no final do processo o programa não abra, bastará reiniciar o computador e num ápice, a magia aconteceu.

Porém, nem tudo é assim tão fácil e já nem isto é propriamente uma verdade. Se antes o Windows já era chato para coisas simples como apagar documentos («Tem a certeza? Mas tem mesmo a certeza? Olhe que será definitivo! Se calhar é melhor enviar só para a reciclagem e depois pensa melhor... Mas é mesmo para apagar a reciclagem? Pense lá duas vezes...»), agora até para instalar documentos o raio do sistema pensa que sabe mais do que eu.

Se eu abro um ficheiro de instalação, numa sessão com permissões de administrador, porque raio o aparelho me tem de perguntar se eu tenho a certeza que quero o ficheiro a correr? «Não, afinal não quero, era só para ver se estavas atento».

quarta-feira, outubro 26, 2011

Serro do Cote

A origem fascina-me. Apesar de não ser linguista, acho curioso conhecer a origem das palavras. Apesar de não ser engenheiro, tenho interesse em saber o que está por trás de uma invenção. Apesar de não trabalhar em Biologia do Desenvolvimento, a teoria da origem das espécies (e de tudo o resto) é, nada menos do que interessante.

Para além de tudo isto, sempre achei incrível como é que surge uma lenda. Não sou católico, e por exemplo, tenho muita curiosidade em como se conseguiu convencer alguém da história, por exemplo de Maria. Será como chegar à casa do vizinho do lado, que mora aqui desde que o prédio foi construído e dizer-lhe que a casa dele antes era habitada por espíritos, sendo que ele sabe muito bem que assim não o era. Não deixa porém de acontecer, essa estranha criação de lendas e mitos, convencendo absolutamente a outra pessoa, de uma dado que sabe que não terá sido bem assim...

Há porém, uma lenda que quero contar aqui, hoje, para a marcar na história...

Perto da vila de Ourique, do Alentejo, e ainda bem próximo de um monte ainda habitado, existe um serro conhecido como o Serro do Cote. Saindo do Monte do Cruzes em direcção ao Serro do Cote, passamos pela capoeira das galinhas, vazia, pois as suas hospedes passeiam-se livremente sem se afastarem do abrigo do monte. O trilho que seguimos passa pela antiga horta, onde os morangos esperavam para serem saboreados pelas crianças que outrora faziam a caminhada. Após o barranco, sobe-se um pequeno monte que mal faz acelerar a respiração. Do cimo deste pequeno monte, vislumbra-se o inicio desta lenda. O poço, de onde há imensos anos eu próprio tirei água para matar a sede a porcos, marca o início da subida. Ao olhar para cima não conseguimos ver ao certo o quão alto é o Serro do Cote, mas, o guia do percurso pede aqui para que todos paremos um momento. Há uma comunicação a fazer! A todos aqueles que se vão aventurar na subida pela primeira vez, há uma mensagem vital a passar, atrevo-me a dizer que é um caso de vida ou de morte! A todos aqueles que já conhecem esta história, não é de mais lembra-la...

Era uma vez, um rapaz chamado Cote, que habitava na aldeia ali perto, há imenso tempo atrás. Nessa altura, nem o Serro do Cote, nem o Monte das Cruzes tinham esses nomes, aliás, o Monte das Cruzes ainda nem deveria existir. O Cote era rapaz como qualquer outro, com o seu espírito de aventura bem marcado, mas uma pessoa simpática e sempre pronto a ajudar os outros, mesmo os seus piores inimigos. Com o seu espírito de curiosidade a chamar por si, Cote decidiu subir ao Serro mais alto dos arredores... Depois de parar no poço para guardar para si alguma água, Cote, decidiu começar a subida do serro, abrindo caminho por entre as silvas altas e os cardos afiados. A meio da subida, uma voz doce e suave, muito parecida a vento a soprar, chamou... «Cote... Cote...». O rapaz parou e pôs-se à escuta. Não fora seguido até ali e ninguém habitava naqueles lados, portanto, a tímida voz só podia ser algo da sua cabeça, ou quem sabe, o efeito do vento a soprar num dos sobreiros que preenchem a encosta. Mal retomou a subida, a voz fez-se ouvir de novo, num tom mais intenso e um tanto ou nada aflitivo... «Cote, ajuda-me Cote...». Novamente parado a meio da encosta, Cote esfregou os olhos e olhou à sua volta. Não via ninguém. Ainda não totalmente convencido, Cote retoma, uma vez mais a subida do serro. Agora, como se viesse de um túnel, a voz voltou-se a ouvir... «Cote, por favor vem ajudar-me Cote, imploro-te...». Agora, o rapaz da aldeia não teve dúvidas que havia mesmo ali alguém. O som da água era bem audível e, como prestável que é, Cote desceu a metade da colina que já tinha subido a correr como se tal gesto não consumisse forças, para salvar a rapariga que se estava a afogar no poço. Ao espreitar para dentro deste, Cote não viu ninguém, mas nos seus ouvidos, o seu nome ia sendo sussurrado, cada vez com menos força... Quando o som estava quase inaudível, Cote seguiu o seu instinto enfeitiçado e atirou-se para dentro do poço de onde nunca mais saiu, acabando por morrer numa tentativa de salvar uma voz apaixonante que chamou por ele.

Hoje, desde esse dia e para toda a eternidade, ninguém estará autorizado a subir ao Serro que recebeu o nome do rapaz, enquanto olha para trás. O que quer que aconteça na subida poderá fazer-nos parar, mas nunca olhar para trás. A vista do Serro do Cote apenas deve ser vista a partir do topo do Serro do Cote. E lá em cima, quando se ouve o vento, há mesmo quem ainda o oiça a chamar pelo Cote...

Resta dizer que esta história é ficcional: não há nenhum verdadeiro registo da existência de um rapaz com o nome de Cote, nem de qualquer afogamento no poço em causa, mas a lei é para cumprir: Que o Serro do Cote se suba sempre sem que se olhe para trás...

terça-feira, outubro 25, 2011

E faça-se algo...

Todas as noites... para ser sincero não são noites portanto, recomecemos,

Todas as madrugadas, após desligar a televisão e antes de me enfiar na cama, despeço-me do mundo, em termos de boas noites, dando uma ultima olhadela à Internet. Apercebo-me que, nestes meus primeiros dias de desempregado, nada de especial, ou pelo menos nada de novo, acontece. A televisão critica hoje as mesmas pessoas que criticava ontem, a rádio toca musicas do ano passado, ou tão similares que passam despercebidas e na Internet só se vêm mensagens de luta à crise, ou convites para o Sims Social.

Acabo portanto, o dia cansado, não de ter feito alguma coisa realmente produtiva, mas cansado de um dia em que cada segundo foi igual ao segundo anterior...

Numa tentativa de fugir a esta visão imutável, parti em busca de outros bloggers que possam ter algo de interessante a dizer, ou escrever. Numa busca rápida pelo Google, esse bichinho que sabe sempre quase tudo, encontrei pelo menos 2 blogues que me pareceram potencialmente interessantes. Assim, fico a aguardar que o dia de amanha seja iluminado por algo mais animado que um qualquer uma das coisas que me apareceu olho diante dos olhos...

segunda-feira, outubro 24, 2011

Privação da essência humana

Acabei de assistir a dois documentários sobre prisões, ambos do National Geographic.

No primeiro (Prisões da Oceânia), falava-se da vida de uma prisão australiana de alta segurança. O documentário confirmou as minhas suspeitas desde há muito: uma prisão é um sítio terrível onde viver. Sempre achei que se algum dia eu fosse preso, por qualquer razão, o pior problema não seria estar condicionado a um recinto fechado, mas sim coabitar com outros reclusos...

O segundo documentário, inserido na série Bastidores, ia mais a fundo e retratava uma prisão de celas solitárias. Neste caso, entrámos dentro de uma prisão nos Estados Unidos e vimos a decadência a que chegam pessoas que estão anos (ou décadas, em alguns casos) afastadas de outro ser humano. Não podem falar, não podem ver, não podem ler... tudo o que se relaciona com outro ser humano é-lhes pura e simplesmente retirado.

Enquanto que no primeiro caso, um ex-recluso tinha 25% de probabilidade de voltar à cadeia, no segundo essa possibilidade subia para 67%! Confesso que não me espantei pelas percentagens e se me tivesse espantado seria apenas e somente por serem tão reduzidas. Como é possível acreditar que uma pessoa pode tonar-se mais pacifica ao fim de 25 anos de total isolamento?

Fez-me imensa confusão ver algo tão humano privado por uma pessoa mostrar um comportamento que outros consideraram errado. A socialização (ou neste caso, a falta dela) é demasiado grave. Como animais sociais que somos, não faz sentido forçar um isolamento total para garantir correcção.

Aceito, claro, que pessoas potencialmente perigosas para a sociedade sejam vigiadas, presas, ou afastadas de qualquer forma, mas isso não requer um isolamento total e absoluto! Somos animais sociais e se não vivermos em sociedades, não poderemos treinar os nossos comportamentos.

Sinto a despoletar em mim algum respeito para com estas pessoas... este não é, de forma alguma, um castigo fácil...

domingo, outubro 23, 2011

10 minutos

Como cientista que pretendo ser, fará parte das minhas obrigações participar em conferências, seminários e workshops, de forma a divulgar o meu trabalho à restante comunidade científica e quem sabe, por vezes, mesmo ao público geral.

Na preparação de uma comunicação, passam-se horas em arranjos e arranjinhos, para ter um conjunto de slides que resumam satisfatoriamente o assunto a tratar. Nenhuma apresentação está concluída, sem que todos os tipos de letra estejam em harmonia, ou sem que as cores sejam as mais agradáveis aos olhos de quem talvez nem olhe para o ecrã projectado.

Um discurso coerente será preparado, treinado e optimizado para encaixar em 10 minutos de fama. São 10 minutos em que não podem faltar os agradecimentos obrigatórios à comissão por nos querer ouvir, em que temos de expor o nosso problema, os meios que utilizámos para o ultrapassar e por fim revelar o resultado de meses de trabalho e de conclusões.

Durante os 10 minutos em que falamos e passamos slides, apontando ocasionalmente o laser para o ecrã, os nossos olhos deambulam pela sala intimidade, recheada de pessoas com expressões bem marcadas. Aquele grupo está claramente perdido desde o inicio da sessão e não está a perceber nada. Aquele acolá não está interessado, menos mal. Este aqui mais perto está bastante concentrado e com cara de quem concorda, óptimo...

No final, uma salva de palmas (recompensante, atrevo-me a dizer,) assinala o fim de um enorme esforço. Surge uma sensação de dever cumprido e de prova superada. Um triunfo que não me dá uma medalha mas que me enche de sorrisos, por ter mostrado a mim mesmo que era capaz.

segunda-feira, outubro 10, 2011

Uma viagem ao som da música

Com a entrega da dissertação de mestrado, enquanto aguardo por notícias dos empregos aos quais concorro, e antes que seja marcada a defesa da dissertação, ocupo o meu tempo com o descanso. Recupero a minha veia de leitor, redescubro jogos que jogava outrora, oiço podcasts sobre meditação e repouso horas a fio num sofá em frete de uma televisão.

Enquanto não posso elevar um campo de cereais para o nível três, porque os recursos só estão disponíveis dentro de nove minutos, e quanto o castelo me indica que a serração ou a mina de ferro necessitam da pedra que ainda está para ser recolhida, abro a minha pasta de música e eis que vejo listadas as musicas do novo CD de Sérgio Godinho (Mútuo Consentimento), musicas estas que adquiri e nunca as tinha ouvido...

Rapidamente me lembro de como era há alguns anos atrás. De como era perfeita a ideia de sair no carro, com o meu irmão, rumo a Montemor-o-Novo, para explorar a vista daquele castelo, ao som deste artista. Lembro-me de como adorava sentar-me (mesmo que fosse no chão) ao som de Sérgio Godinho e a ler, se a memória não me falha, um livro da saga Adrian Mole.

Encanta-me a velocidade com que nos esquecemos de quem fomos, mas mais ainda, da capacidade de pequenas coisas nos fazerem viajar para o passado de nós mesmos...

Sérgio Godinho faz-me sorrir esta noite ;)